%0 Journal Article %A Correia Martins, Ana Isabel %T Uma leitura d’«A Maior Flor do Mundo» : um exercício «progymnástico» na esteira das ressonâncias clássicas %D 2024 %U https://hdl.handle.net/20.500.14352/125480 %X RESUMO: «A Maior Flor do Mundo» conduz-nos por labirintos desafiantes, questionando desde logo as fronteiras e o público da literatura infantojuvenil. O conto entretece vários expedientes retórico-estilísticos como a «praeteritio», «enargeia», passando por muitos outros elementos que expandem simbolismos e promovem leituras amplas e polissémicas. O universo alegórico, pejado de metáforas e referências, envolve o leitor num exercício hermenêutico de «poiesis». Os elementos vitais da água, terra, flor, sonho, sono, viagem ajudam a consubstanciar a demanda sisifista na superação hercúlea (ou ícara) de todos os obstáculos, tendo como pano de fundo uma ética prometeica de correção do mundo. O menino herói anónimo, sinédoque dos «miúdos e graúdos», à contraluz do «speculum principis», amplifica a necessidade de voltarmos ao essencial nas nossas descobertas e conquistas. O presente artigo apresenta uma leitura da obra, reconhecendo estas vozes e ecos do património antigo - como as técnicas dos «progymnasmata» - comprovando a sua perenidade na cultura ocidental. %X ABSTRACT: “A Maior Flor do Mundo” takes us through a challenging labyrinth, questioning from the beginning the boundaries of children’s literature. The tale interweaves various rhetoricalstylistic devices such as “praeteritio”, “enargeia”, and many other illustrative elements that expand symbolism, promoting broaden and polysemic readings. The allegorical universe, full of metaphors and references, involves the reader in a hermeneutic exercise of “poiesis”. The vital elements of water, earth, flowers, dreams, sleep and travel consubstantiate the Sisyphean demand to overcome all obstacles with herculean (or Icarus) force. The anonymous boy hero, the synecdoche of everyone, in the backlight of the “speculum principis”, amplifies the need to return to the essential in our discoveries and conquests. This article presents a reading of the work, recognizing these voices and echoes of the ancient heritage – such as the “progymnasmata” techniques – proving the endurance of these legacies in our Western culture. %~